The Age of the Earth

The Age of the Earth ★★★★★

O equivalente cinematográfico a um cruzamento entre o krautrock do Faust e o pós-punk tribal do Killing Joke. Mas Glauber descobriu Jorge Ben em Di (“Umbabarauma”), e agora “Brother”. Talvez este seja A Tábua de Esmeralda do cineasta. Mas também é um filme e seu ensaio, testes de elenco e procuras de locação, ensaio sobre a luz e o movimento, exercício em abstração e repetição, uma estrutura racional e sua permanente desconstrução, o material bruto e um rascunho de filme, seu making of. O vale tudo do “tudo é cinema”.

Glauber coloca Tarcísio Meira em cena, oito anos após ele ter interpretado Dom Pedro I em “Independência ou Morte”, de Carlos Coimbra, em um discurso pró-independência, pró-República, mas sem abdicar da violência na defesa dos direitos humanos. “Nós não conhecemos o luxo da decadência. Os guerreiros dormem com a história, na cama das revoluções”. Glauber percebeu a dimensão mítica e o carisma de Tarcísio e permite ao astro seu maior brilho no cinema (com O Marginal, de Carlos Manga).

Atlantic City não é um mau filme do cooptado Louis Malle, e Megalexandros, superior ao filme de Malle, é um ponto de transição importante no cinema de Theo Angelopoulos, quando ele começa a deixar o painel histórico e parte para o indivíduo. Mas A Idade da Terra é de outro mundo. Foi esnobado porque os grandes festivais europeus são todos míopes e lutam pela uniformização constante do cinema. Nada mais oposto disso que o cinema de Glauber.

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