The Suicide Squad

The Suicide Squad ★★★

É inegável notar a influência de Deadpool na concepção desse molde de adaptações de quadrinhos com super-seres que se conecta mais ao humor estapafúrdio de suas gags, uma espécie de paródia autoconsciente e bastante ácida que ri de si próprio no processo cômico que concebe. Para o bem ou mal, essa fórmula é bem sucedida em sua aceitação de grande público, mas sempre carrega muitos deméritos e, como era inevitável de ocorrer, O Esquadrão Suicida de James Gunn, ao se apoiar nessa dinâmica, compartilha dos mesmos problemas vistos nas produções de Tim Miller e David Leitch.

Talvez o mais notável seja as falhas tentativas de investir em um dispositivo dramático insistentemente usado para criar um vínculo genuíno pela dinâmica do Esquadrão. Mas, com exceção de Bloodsport e Ratcatcher 2 (Idris Elba e Daniela Melchior, ambos excelentes), nenhum drama soa convincente e qualquer tentativa de Gunn em encenar uma sequência que reflita imageticamente intenções emocionais é facilmente arruinada pelo tom que pede muito mais o exagero cômico e as inúmeras inventividades formalistas do diretor do que seu (bom, levando em conta o que conquistou em Guardians of the Galaxy) arsenal afetivo no relacionamento das figuras em cena.

É ao se entregar ao nonsense de gags que operam na verbalização (as discussões sem sentido e estendidas para além do ponto) quanto na fisicalidade (boa parte das cenas com o Nanaue) onde Gunn brilha, sempre valorizando a comicidade do instante através de sua câmera fluida que opera em um deslocamento furtivo até a decupagem que alterna entre os planos para gerar um desdobramento humorístico mais livre e, claro, o modo como os atores e Gunn conseguem trabalhar dentro da mise-en-scène, fazendo das piadinhas escrachadas e do tom narrativo cartunesco a sua maior força.

Ainda que passe do ponto nos seus exageros (tal qual as "aventuras" do mercenário tagarela nos cinemas) e tente vender algo que nem mesmo consegue comprar (tanto o efeito emocional quanto os supérfluos comentários sociopolíticos e as ridicularizações dos ideais norte-americanos), ao menos James Gunn faz de boa parte de The Suicide Squad uma obra criativa e eficaz em sua função como entretenimento.

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