Too Early/Too Late

Too Early/Too Late ★★★★★

Straub/Snow; Ontologia/Materialismo


(...) A convergência de Straub e de Landow, de Godard e de Brakhage exige uma reflexão sobre como a crise da representação cinematográfica, enraizada na hostilidade dos independentes em relação ao condicionamento industrial do cinema dominante, encontra, cerca de vinte anos depois, seu eco na Europa.

(...) Porque, no travelling óptico do zoom que reenquadra de maneira coerente e gradual a "cena", a vida da rua pode ser percebida ao fundo, através dos ladrilhos da janela. Ao reintroduzir a espera ou a antecipação como o pivô da estrutura de seu filme, Snow redefiniu o espaço; trata-se essencialmente de "uma noção temporal", como Klee havia dito. Ao livrar o filme de todas as metáforas da montagem, Snow criou uma grandiosa metáfora para a própria forma narrativa. Quando o espaço do movimento é redefinido como a cena da ação da câmera espaço e cena, movimento e narração se fundem na estrutura de um cinema renovado. Snow então substituirá nessa estrutura o espaço da paisagem, ocupado por uma única personagem da qual vemos apenas a sombra. Essa sombra e sua voz são as da máquina móvel que traça, por esses incessantes arabescos, a topografia de uma Região Central, eixo de uma nova "diegese".

Annette Michelson, Scène de l'action espace du mouvement: la crise de la représentation cinématographique


Na próxima Foco.

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