Crazy Heart ★★★½

Um grande triunfo que muitos filmes não conseguem alcançar quando se trata de suas histórias e até mesmo de suas escolhas de casting, é a naturalidade e a realidade que as mesmas emanam para o público. A maioria dos elementos presentes neste longa já foram utilizadas em alguma outra obra, a familiaridade da mesma é gigantesca, pois sentimos que já vimos isso em algum lugar, mas as características anteriormente citadas é o que a destaca e a diferencia de tantas outras que falham em a conseguir.

A grande e maior virtude deste filme são as atuações, Jeff Bridges foi nomeado e premiado no Oscar por seu trabalho. Algo que este ator faz muito bem é viver seu personagem ao ponto que fica difícil de se separar quem é ator e quem é o personagem, ambos parecem um em cada um de seus filmes, atuar é algo natural para ele, merecendo assim todos os prêmios que recebeu. Maggie Gyllenhaal também faz uma participação expressiva no longa, com excelentes momentos de entrega e naturalidade em sua atuação, ajudando muito a imersão do público no filme.

Outro ponto a ser elogiado são as canções, fiquei em dúvida enquanto assistia o longa mas após seu término confirmei que todas as músicas foram compostas unicamente para o filme e interpretadas pelos próprios atores, que foram auxiliados por professores de canto. Até mesmo um dos shows fora gravado em um palco real de um show que estava acontecendo em Albuquerque, com uma plateia real que realmente estava surpresa em ver Colin Farrell e Jeff Bridges subiram ao palco. Não preciso nem dizer o quão benéfico isso é para uma obra, todos esses detalhes são sentidos pelo público e agregam muito valor ao tom que o filme vinha construído até o momento.

A realidade do filme é sua maior virtude e também sua maior fraqueza, em muitas partes acompanhamos momentos rotineiros da vida dos personagens que não agregam muito a narrativa e a falta de muitos embates ou reviravoltas mais emocionantes no longa fazem falta, tornando a experiência de assisti-lo monótona e apenas apreciativa, e não envoltória. Mesmo quando somos introduzidos em um momento que deveria ser emocionalmente mais carregado ou um clímax para a história, ele não se prova muito interessante, mas sim destoante de tudo que vínhamos acompanhando até o momento, chegando a ser o único momento que realmente me incomodou.

Crazy Heart é um excelente drama, com personagens muito bem escritos e com uma trama madura e consciente de si mesma, com excelentes atuações e com músicas excelentes, mas que podem não ser tão agradáveis para quem não gosta do gênero Country. Uma experiência amena e monótona, mas que não desagradará aqueles que apreciam uma bela construção de personagem. Recomendo a todos.