Apocalypse Now ★★★★★

O Capitão Willard (Martin Sheen) recebe a missão confidencial de navegar por um rio no centro do Vietnã em plena guerra até encontrar e matar o Coronel Kurtz (Marlon Brando), que parece ter enlouquecido e se tornado uma espécie de sacerdote para seus soldados e habitantes locais. No barco conduzido por Chief (Albert Hall), Clean (um muito jovem Laurence Fishburne), Chef (Frederic Forrest) e o surfista Lance Johnson (Sam Bottons), Willard atravessa o país asiático se deparando com várias situações da guerra, como o alucinado Tenente-Coronel Kilgore (Robert Duvall) e um fotógrafo de guerra (Dennis Hopper).

Muitos consideram Apocalypse Now o melhor filme de guerra já feito. Eu não posso afirmar isso, por não ter assistido a muitos entre os aclamados. Mas que é um filmaço, isso é. Encerrando sua década de ouro, Coppola se debruça sobre o que viria a ser uma das filmagens mais difíceis da história de Hollywood, um ano inteiro nas florestas úmidas das Filipinas, convivendo com conflitos, furacões, um ataque cardíaco de seu protagonista e a figura sempre complicada de Brando. Saindo da experiência com um material muito extenso, a montagem do filme também foi outro parto. Mas apesar de tudo, saiu daí um grande filme, que foi lançado com 153 minutos em 1979 e ganhou 49 minutos extras em 2001 na versão Redux, que foi a assistida.

Apocalypse Now tem uma produção incomparável, o que marcou essa década da carreira do cineasta. Ou seja, todos os aspectos técnicos são dignos de nota, com destaques para a direção de arte, a edição de som e a fotografia. Esta última, em especial, merecia prêmios principalmente pela forma como foi filmada a famosa cena da cavalaria aérea tomando de assalto um vilarejo vietcongue. Quando Kilgore liga A Cavalgada das Valquírias (sim, a música é diegética), o mais tímido espectador sente seus pelos do braço arrepiando. É certamente uma das cenas mais épicas da história do cinema, e fico imaginando como deve ter sido a filmagem. O longa já teria relevância meramente por esses, sei lá, 2 minutos de tirar o fôlego.

O elenco é uniforme em sua qualidade, com destaques para os ensandecidos Robert Duvall e Dennis Hopper, para a figura sempre genial de Brando e para a personalidade complexa concebida por Sheen, um soldado experiente, modificado pela guerra e do qual jamais sabemos tudo. Por que ele se sente tão bem ali?

Aliás, o aspecto moral é fundamental na projeção. De que vale esta guerra? De que valem as outras guerras nas quais os Estados Unidos se envolveram? Extermínio da juventude do país em troca de algum potencial negócio financeiro. O roteiro não explicita muito a discussão, exceto talvez pelos franceses, mas leva o espectador a refletir sobre o impacto deste tipo de incursão militar nas pessoas. O que seria de um Willard de volta ao seu país após o fim da guerra? Ele jamais se readaptaria. O Coronel Wurtz está ali com esse objetivo: levantar mais questionamentos para o espectador.

Mas o maior mérito de Apocalypse Now é mesmo a qualidade cinematográfica. Um sem número de tomadas emolduráveis, uma narrativa impecável que nos leva pelas situações junto com o barco PBR cada vez mais fundo nessa guerra sem sentido.

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