Avengers: Age of Ultron ★★★★

O Capitão América (Chris Evans), o Homem de Ferro (Robert Downey Jr.), o Thor (Chris Hemsworth), o Hulk (Mark Ruffalo), a Viúva Negra (Scarlett Johansson) e o Gavião Arqueiro (Jeremy Renner) precisam lidar com a ameaça de Ultron (voz e movimentos de James Spader), uma inteligência artificial criada por Tony Stark que deseja resolver os problemas do mundo, e para tal precisa remover os Vingadores do seu caminho. No meio da confusão estão os gêmeos Pietro (Aaron Taylor-Johnson) e Wanda Maximoff (Elizabeth Olsen).

A Era de Ultron não tem um grande trunfo de seu antecessor: enquanto o longa de 2012 fazia a junção dos vários heróis apresentados em seus filmes isolados em uma única história, trazendo para o cinema com sucesso a noção de grupo de heróis, algo nunca antes visto; o filme de 2015 não é mais inovador nesse aspecto, de forma que precisa ganhar em outros para ser tão bem-sucedido em termos de bilheteria.

No que diz respeito à ameaça, posso afirmar que o Ultron de Spader é muito superior aos alienígenas Chitauri, e faz um bom contraponto ao Loki do primeiro longa. O saldo é positivo. A caracterização de Spader é essencial para o resultado, e seus trejeitos e maneirismos vocais humanizam o ser robótico. Ultron tem um aspecto insano nos quadrinhos, e o ator é perfeito para representá-lo na telona.

Já as cenas de batalha em si não são muito diferentes daquelas de 2012. Havia um exército de Chitauri, há um exército de Ultrons. A colaboração dos heróis em ação está mais fluida, o que é um mérito de Whedon, demonstrando que estes são agora habituados a lutar juntos. A aguardada cena da Hulkbuster é bacana também, mas de alguma forma me lembrou a fatídica batalha final entre Neo e o Agente Smith em Matrix Revolutions, o que não pode ser um bom sinal.

No que tange ao desenvolvimento dos personagens, o roteiro de Joss Whedon é eficaz. O Gavião Arqueiro ganha um background completo, a Viúva Negra é desenvolvida, e o Hulk também avança em sua trama particular. Stark é outro que ganha novos e megalomaníacos contornos. Neste ponto, devo dizer que Thor e Steve Rogers são personagens um pouco mais planos mesmo, e não sei se têm muito mais a evoluir.

Outro ponto positivo do filme é o humor, que está sempre lá pontuando a narrativa e faz um trabalho essencial de humanização dos personagens, e auxilia a ancorar aquele universo fantástico na realidade, gerando identificação por parte dos espectadores. Também há vários easter eggs para os leitores de quadrinhos, sem com isso prejudicar a sessão para aqueles que conhecem os personagens apenas no cinema.

Aquele que talvez seja o maior problema da projeção é a falha do clímax em gerar o efeito esperado. A partir do surgimento do Visão (Paul Bettany), a ameaça de Ultron perde como efeito dramático, pois o espectador tem a impressão de que ele não pode mais vencer os Vingadores. A batalha climática, por mais impactante e grandiosa que seja, falhou em provocar tensão.

A partir desse trecho do review, aviso que há SPOILERS da trama!

Entendo que faz sentido a origem de Ultron e Visão estar ligada ao Homem de Ferro na versão cinematográfica, mas como leitor de quadrinhos e conhecendo a importância de Hank Pym para o funcionamento dos Vingadores, senti a falta do personagem. De onde Ultron tirou seu componente de insanidade? Talvez Pym e a Vespa tivessem sido mais interessantes na equipe inicial que a Viúva e o Gavião, que poderiam entrar só a partir de agora.

Por outro lado, fiquei muito animado com as menções a Wakanda, e aguardo ansiosamente o longa do Pantera Negra. A revelação das jóias do infinito e a cena dos créditos com Thanos também deixou o fanboy dentro de mim maluco. E começo a crer que há muito pouco tempo para montar o resto do background para Vingadores 3 e 4! XD

Também fiquei muito contente com o encerramento e nova equipe de Vingadores. Quem conhece os quadrinhos sabe que não é incomum que após sagas traumáticas haja uma reformulação do gênero. E a primeira veio justamente com a debandada dos Vingadores clássicos, restando apenas o Capitão América ao lado de vários novatos duvidosos. Desconfio que esta equipe aparecerá em Guerra Civil, e será a base para Vingadores 3 e 4, onde os demais personagens clássicos farão sua despedida. Aliás, em algum momento teremos a troca de Steve Rogers pelo Soldado Invernal também, podem anotar. Talvez em Guerra Civil, talvez após Vingadores 4.

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