Birdman ★★★★★

Riggan Thomson (Michael Keaton) tenta retomar sua carreira dirigindo, roteirizando e estrelando uma peça na Broadway, após duas décadas de ostracismo causado por seu declínio em fazer um quarto filme do super-herói Birdman. Nos dias que antecedem a estreia, Riggan tem que lidar com o problemático ator Mike Shiner (Edward Norton), sua filha em recuperação das drogas Sam (Emma Stone), sua namorada que talvez esteja grávida Laura (Andrea Riseborough) e a crítica de peças Tabitha Dickinson (Lindsay Duncan). Com o apoio de seu amigo e produtor Jake (Zach Galifianakis), Riggan ainda lida com a atriz estreante Lesley (Naomi Watts), sua ex-esposa Sylvia (Amy Ryan) e com o Birdman que atormenta sua cabeça.

O diretor Alejandro Gonzáles Iñarritu construiu sua carreira realizando dramas independentes, como os ótimos 21 Gramas e Biutiful, mas foi com essa guinada de rumo que ele alcançou seu ápice até então. Uma comédia de humor negro e sutil, Birdman tem como principais méritos o roteiro divertido e surpreendente; o elenco extremamente afiado; a trilha sonora focada em percussão que parece um eco da cabeça de Thomson; a fenomenal fotografia de Lubezki; e a condução da coisa toda pelas mãos do diretor.

A imprevisibilidade do roteiro merece destaque, pois mesmo em momentos em que tive certeza do que aconteceria, fui surpreendido. Não é possível assumir nada sobre o longa, apenas assisti-lo e curtir o espetáculo.

No elenco três nomes se sobressaem: Emma Stone, que, apesar de ser uma comediante talentosa, está bem neste longa graças ao drama de sua relação com o pai (vale comentar que ela está tomando um rumo muito interessante na carreira); Edward Norton, que todos já sabíamos ser um ótimo ator e tem em suas cenas talvez as mais desafiadoras da projeção, além de interpretar o personagem mais detestável; e, claro, Michael Keaton, que é o Birdman como foi o Batman. A camada metalinguística que o passado do ator adiciona ao filme é um toque de mestre de Iñarritu, e Keaton não decepciona. Pelo contrário, oferece uma performance digna de reerguer sua carreira, sem medo de abrir-se perante a câmera, duelando com sua própria insegurança e oscilando em sua mente frágil. Riggan é um personagem complexo e muito bem interpretado.

Mas Birdman seria um filme apenas ótimo se não fosse o trabalho de Emmanuel Lubezki, a partir das ideias de Iñarritu. O diretor de fotografia, que talvez seja o melhor da atualidade, consegue criar a impressão de que, exceto por pequenas cenas no início e no fim da projeção, todo o filme foi feito em um único plano-sequência. Os cortes estão lá, mas são tão meticulosos que não é possível percebê-los. Todo o elenco e produção tiveram que ensaiar inúmeras vezes para que a filmagem desse certo, já que, apesar de alguns cortes escondidos, ainda assim os takes são imensos.

Fico agora ansioso para saber os próximos passos das carreiras de Iñarritu e Keaton, após esta guinada que é Birdman, um dos filmes mais desafiadores e originais dos últimos anos.

Report this review

Elvis liked these reviews