Boys Don't Cry ★★★★½

Brandon Teena (Hillary Swank) é um transgênero, biologicamente do sexo feminino, mas sentindo e agindo como no masculino. Ele se sente como homem e frequenta as baladas de uma cidadezinha do interior dos EUA, ficando com as garotas que consegue conquistar. Até que conhece Lana Tisdel (Chloë Sevigny), se apaixona pela garota e vai passar uma temporada em sua cidade. Mas Brandon deve tomar cuidado com os amigos de Lana John Lotter (Peter Sarsgaard) e Tom Nissen (Brandon Sexton III).

A história real de Brandon Teena e todos os incidentes ocorridos em 1993, foi ficcionalizada pela diretora e roteirista Kimberly Peirce neste longa de 1999. É uma história triste e que demonstra como ainda estamos distantes do reconhecimento de identidades transgênero e todas as multivariedades de gênero e orientação sexual existentes. Obras como Meninos não Choram são fundamentais para a divulgação dos problemas enfrentados por quem é diferente da maioria.

O Brandon do filme era um sonhador. Queria ser feliz com Lana; queria ir para Memphis e achava que Lana teria uma carreira como cantora de karaokê; achava que conseguiria esconder seu sexo de nascimento para sempre da namorada. Este comportamento também pode ser associado com a negação da verdade, com uma fuga dos problemas e o sonho de que sua vida desse certo, e que ele pudesse ser definitivamente do gênero masculino.

O roteiro é hábil ao manter um clima de tensão no espectador, que sabe da verdade sobre Teena e receia a descoberta pelos demais personagens da trama. O elenco de apoio está muito bem, desde Sexton e Sarsgaard, a Lecy Goranson como Candace e Jeanetta Arnette como a mãe de Lana, mas principalmente a sempre eficaz (e esquisita) Chloë Sevigny.

Todavia, o sucesso da empreitada se deve principalmente à performance assustadora de Hillary Swank, naquela que será eternamente a melhor atuação de sua carreira, que lhe rendeu um Oscar e me fez, finalmente, reconhecer nela uma grande atriz (acho o segundo Oscar, por Menina de Ouro, injusto). Todos os trejeitos, a forma como anda, suas inseguranças, os sentimentos, tudo é espetacularmente exposto por Swank. Com sutileza, mas está lá. Ela é Brandon. E parece ser não só de corpo como de alma.

Meninos não Choram é um grande filme, que deveria ser exibido nas escolas para que as crianças aprendam desde cedo o que o preconceito delas pode causar. Me parte o coração saber que casos como o de Brandon são apenas um entre inúmeros que ainda ocorrem por todo o mundo.

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