Brooklyn ★★★★½

Nos anos 50, a jovem Eilis (pronuncia-se Eilish) Lacey (Saoirse Ronan) decide emigrar da pequena Enniscorthy, na Irlanda, para Nova York, em busca de uma vida que lhe faça feliz. Para ela, sua cidade não oferece boas oportunidades, então Eilis deixa sua irmã Rose (Fiona Glascott) e sua mãe (Jane Brennan) para ir aos EUA. Com o apoio do Padre Flood (Jim Broadbent), arruma um emprego e moradia no pensionato da Sra. Kehoe (Julie Walters). Um evento a faz retornar brevemente à sua cidade e ficar dividida entre a família e o rapaz Jim Farrell (Domhnall Gleeson) e as oportunidades e sua paixão pelo descendente de italianos Tony (Emory Cohen).

O diretor John Crowley conduz este drama romântico centrado na personagem interpretada por Saoirse Ronan. A equipe técnica por trás do longa merece menção: a fotografia de Yves Bélanger deixa claro se tratar de uma história de época, e faz de forma sutil a transição entre as etapas da vida de Eilis; os figurinos de Odile Dicks-Mireaux apoiam esta mudança especialmente nas cores menos irlandesas (aos poucos ela vai reduzindo o verde) e na crescente ousadia e modernidade visual da garota; bem como o design de produção é também apurado.

O roteiro do escritor Nick Hornby parece adaptar sem maiores modificações o livro do irlandês Colm Tóibín, sendo eficaz ao construir uma protagonista que amadurece diante dos eventos deste período de tempo narrado, e ao construir um dilema crível e para o qual não parece haver uma opção muito superior à outra.

Destaco ainda a atuação de Saoirse Ronan. Dona de olhos profundos e que parecem conter uma certa magia (confesso que "élfico" me vem à cabeça), a atriz conduz as dúvidas, o crescimento e as decisões de Eilis com habilidade, fazendo uso de seu rosto expressivo para denotar os sentimentos da personagem. Não à toa, o diretor mantém a atriz em close durante boa parte da projeção.

Talvez o maior elogio que se possa fazer a uma produção cinematográfica seja afirmar que a história que conta não tem nada inovador nem maiores reviravoltas ou dramas interessantes, mas ainda assim o filme prende a atenção do espectador durante toda a sua duração, e nos deixa apreensivos pelo futuro de sua protagonista. Ou seja, tenho a impressão de que o mérito aqui é menos da história e mais da produção.

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