Contact ★★★★★

Ellie Arroway (Jodie Foster adulta e Jena Malone criança) se interessava pelo espaço na infância, o suficiente para perseguir uma carreira de astrofísica e conseguir uma posição de destaque em um programa de busca por vida extraterrestre. Após alguns anos de análise, Foster e a equipe liderada por Kent Clark (William Fichtner) descobrem um sinal de vida inteligente. Ellie tem que lidar com a prepotência de David Drumlin (Tom Skerritt), assessor de ciência da Presidência dos EUA; com os desejos do milionário excêntrico Hadden (John Hurt), que financiou parte da pesquisa da cientista; com seu envolvimento sentimental com o filósofo cristão Palmer Joss (Matthew McConaughey); com o ceticismo do representante da NSA Michael Kitz (James Woods); e com a saudade de seu pai (David Morse), que morreu na infância da garota.

Adaptando o livro homônimo do cientista e entusiasta da vida extraterrena Carl Sagan, o roteiro foi trabalhado por muitas mãos desde a concepção do livro até a versão final que foi conduzida por Robert Zemeckis para as telonas. É frequente que, após tantas interferências, diferentes tratamentos e troca de equipe, um roteiro acabe confuso e problemático, mas este não foi o caso com Contato, que de alguma forma, talvez pela visão cinematográfica do diretor, chegou em sua versão final praticamente sem reveses. São tantos os méritos da narrativa que elencarei apenas alguns: debater o conflito Ciência X fé sem desmerecer um ou outro, não tirando conclusões muito concretas e justificando a possibilidade dos conceitos coexistirem; criar personagens tridimensionais, especialmente David, que poderia ser facilmente vilanizado, mas é transformado em uma figura complexa, com nuances de cinza; e, particularmente, o ritmo da obra.

Mérito do roteiro, da montagem e da direção, o ritmo da narrativa é extremamente eficaz, por jamais se apressar no desencadear dos eventos e permitir que o espectador se identifique aos poucos com a jornada de Ellie, além de ir preparando o ambiente para os eventos do terceiro ato. O longa pode até ser considerado lento por aqueles que esperam mais ação, mas não tenho dúvidas que sua cadência foi calculada para construir a tensão aos poucos, culminando no clímax da projeção, que também pode ser considerado o apogeu da vida de Ellie.

Apesar de todos os temas abordados, Contato é na verdade sobre Ellie. É uma espécie de biografia desta cientista, que representa nossos anseios por saber mais sobre o macrocosmo, nossas indagações acerca da vida fora da Terra, a curiosidade de toda a Humanidade. A personagem não poderia ser mais especial, provando inegavelmente que Jodie Foster é uma grande atriz, conferindo ao papel uma energia incomum, uma entrega comovente. Foster transmite o sonho de Ellie de forma quase palpável, e ela faz tudo de forma tão simples que parece que todos nós podemos chegar aonde ela chegou. Acima de uma astrofísica, Ellie é apenas uma humana perseguindo seus sonhos.

E este é o ponto-chave, o mérito maior de Contato. Zemeckis, Sagan e Foster fizeram um filme de ficção científica, uma obra sobre vida fora da Terra, sobre Ciência, sobre Astrofísica, sim. Mas acima de tudo, a película é um tratado sobre a determinação de uma pessoa em busca de seus sonhos. E eu terminei a sessão emocionado com a trajetória de Ellie. Desejoso de ter um sonho como o dela para perseguir. E vou além: se eu tivesse assistido ao filme na época de seu lançamento, quando eu teria 14 ou 15 anos, talvez tivesse mudado os rumos de minha carreira e, em vez de seguir os rumos da Computação, hoje eu poderia ser astrofísico, astrônomo ou algum outro tipo de estudioso do cosmo. Esse é o tamanho do impacto de Contato, um filme que não entendo ter esperado tanto para ver, e que deixou marcas na minha vida.

Report this review

Elvis liked these reviews