Doctor Strange ★★★★

Stephen Strange (Benedict Cumberbatch) é um exímio neurocirurgião, dedicando-se apenas aos maiores desafios e arrogantemente denegrindo o mero trabalho de salvar vidas na emergência, realizado por sua amiga Dra. Palmer (Rachel McAdams). Quando sofre um acidente de carro que danifica suas mãos, o médico busca todos os tipos de tratamento, até chegar à Anciã (Tilda Swinton), que o apresenta à magia e o adota como pupilo, ao lado do Mestre Mordo (Chiwetel Ejiofor) e de Wong (Benedict Wong), entre outros. Com sua conhecida inteligência e obstinação, Strange se dedica ao estudo das artes místicas e precisa lidar com o ex-aluno da Anciã Kaecilius (Mads Mikkelsen), que "caiu para as trevas".

A Marvel chegou a um sistema muito interessante no sentido financeiro da palavra. Contrata diretores promissores, mas ainda longe de serem estrelas, dá a eles um orçamento vultuoso, mas os mantém em rédea curta, conseguindo assim sucessos de bilheteria gastando relativamente pouco com salários. Esta regra também vinha se aplicando ao elenco, o que não é verdade em Doutor Estranho, que conta com um elenco de fazer inveja a qualquer drama oscarizável: Cumberbatch, Swinton, Ejiofor e Mikkelsen são quatro grandes atores.

Por outro lado, o modelo de longa de origem do estúdio está à beira do esgotamento. São todos muito similares e se alguns (eu incluso) ainda apreciam as obras, muitos já se cansam da repetição do formato. Felizmente teremos mais dois filmes de origem em breve, que devem ser um pouco diferentes: Pantera Negra tanto pelo elenco como pela localização e clima da história; e Capitã Marvel por ser estrelado por uma mulher, enfim.

Falando de Doutor Estranho, finalmente, eu consegui baixar meu hype bem a tempo de apreciar por completo o resultado. O elenco de apoio é subutilizado, incontestavelmente, mas ainda sinto que vale a pena ter uma Swinton e um Mikkelsen emprestando seus talentos aos personagens que interpretam, ainda que não tenham espaço para brilhar. já Cumberbatch tem o espaço e faz uso da melhor forma possível, alternando um pouco de Sherlock no primeiro ato com uma figura mais humanizada no decorrer do longa.

A história altera muitas coisas dos quadrinhos, mas não o bastante para descaracterizar o personagem. A trama é simples e previsível, mas eficaz o bastante para prender a atenção, especialmente graças à dose cavalar de magia, fugindo de outros filmes do estúdio, mais calcados na ciência (com exceção de Thor e, em menor escala, Guardiões da Galáxia).

O grande chamariz do filme são os efeitos visuais, um espetáculo à parte e desde já possível vencedor do próximo Oscar da categoria. Eu acreditava que as alterações de realidade seriam uma das cenas do longa, mas estão mais presentes do que imaginei e isso não é ruim. Aliás, fico imaginando que um jogo de videogame neste estilo seria um sucesso.

A trilha sonora do sempre competente Michael Giacchino é um bônus muito bem recebido. Aguardo desde já a continuação, que promete ser mais interessante, como de costume no estúdio. Sempre que se livra de ter que contar a origem dos personagens, sobra espaço para a trama.

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