Gone Girl ★★★★★

No dia do seu 5º aniversário de casamento, Nick Dunne (Ben Affleck) chega em casa e não encontra sua esposa Amy (Rosamund Pike), e sim vestígios de briga e a porta aberta. Desconfiando se tratar de um sequestro, vai à polícia. Os policiais Rhonda (Kim Dickens) e James (Patrick Fugit) começam um trabalho investigativo em que tudo parece apontar para como se Nick houvesse assassinado Amy. Ao lado de sua irmã Margo (Carrie Coon) e do advogado Tanner Bolt (Tyler Perry), Nick tem que provar sua inocência e descobrir o que aconteceu com Amy.

O diretor David Fincher talvez seja um dos mais subestimados de Hollywood. Apesar de ter algumas obras menores no currículo (eu não gosto muito do terceiro Alien, de Vidas em Jogo nem de Benjamin Button), tem uma carreira muito consistente, com filmes ótimos, excelentes e obras-primas. Um de seus grandes méritos talvez seja a simples seleção do que vai dirigir, já que muitos de seus filmes contém roteiros extremamente inventivos. Mas as qualidades de Fincher como condutor também merecem aplausos.

Garota Exemplar é mais um de seus grandes filmes. Eu o colocaria em posição de igualdade com Se7en e talvez Zodíaco, abaixo apenas de Clube da Luta, que pra mim continua sendo sua obra-prima. Contando com um elenco afiado, o longa deposita acertadamente as suas fichas em uma grande reviravolta que ocorre no segundo ato, que coloca a personagem Amy no posto de uma das mais brilhantes dos últimos tempos no cinema.

O trabalho técnico por trás de Garota Exemplar é impecável, partindo da direção de arte que construiu tão adequadamente os ambientes, informando pelos objetos de cena do lar do casal a situação do casamento de Nick e Amy; e criando ambientes tão diversos como uma espécie de pensão e a casa de campo do personagem de Neil Patrick Harris (ótimo em cena, aliás); passando pela trilha sonora de Trent Reznor e Atticus Ross, que auxilia a manter a tensão; e chegando ao trabalho de montagem do sempre excelente Kirk Baxter, que alterna entre duas narrativas sem jamais dificultar a compreensão e aproveitando elementos de uma para pontuar detalhes da outra.

A narrativa, aliás, é o grande trunfo do roteiro de Gillian Flynn, baseado em seu próprio livro (que não sei se segue a mesma organização narrativa, ou se essa foi uma decisão de Fincher com Baxter). Alternando entre a situação de Nick pós-desaparecimento de Amy e a narração "diarística" da própria moça de como os dois se conheceram e os pontos importantes da relação, o longa permite que o espectador vá tirando conclusões (que depois serão jogadas no lixo, claro) dos acontecimentos atuais com base nos flashbacks narrados por Amy.

Não menos importante é mencionar o desempenho de Rosamund Pike na pele de Amy. Não posso explicar bem seus méritos sem revelar spoilers importantes da trama, mas a atriz se mostrou talentosa o bastante para merecer lembrança nas premiações (o que não sei se vai ocorrer, talvez não). Affleck também faz um bom trabalho, e é interessante ver como a maturidade trouxe ao ator-diretor uma bagagem interessante.

Garota Exemplar é meu filme favorito de 2014 até então, e não duvido que encabece minha lista do ano. Um trabalho excepcional, que me deixou boquiaberto na saída do cinema, indagando-me que mulher era essa (mais uma vez não posso usar o adjetivo sem ser spoiler).

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