Her ★★★★½

Em um futuro não muito distante, Theodore Twombly (Joaquin Phoenix) trabalha como redator de cartas manuscritas, em sua maioria declarações de amor, seja ele de que forma for, enquanto tenta superar seu divórcio com Catherine (Rooney Mara). Apesar da amiga Amy (Amy Adams) tentar ajudá-lo arrumando um encontro às cegas (com personagem interpretada pela Olivia Wilde), o protagonista só volta a ter gosto pela vida ao interagir como o recém-lançado OS1, um sistema operacional inteligente que atende pelo nome de Samantha (voz da Scarlett Johansson). Logo essa interação se torna um inusitado romance que é o tema central deste filme dirigido e roteirizado pelo Spike Jonze.
O Spike Jonze é um diretor subestimado. Responsável pelos longas Quero Ser John Malkovich, Adaptação e Onde Vivem Os Monstros, já estava em tempo de ter seu trabalho reconhecido de alguma forma. Apesar de eu preferir os outros três a este "Ela", de forma alguma isso significa que o longa deixa de ser ótimo! Aliás, o roteiro é muito criativo em sua concepção do futuro e das características de Samantha. O desenvolvimento da narrativa jamais soa clichê e não opta pelas escolhas mais fáceis. O relacionamento de um humano com um sistema operacional é tratado com uma naturalidade impressionante. Outro mérito de "Ela" é fomentar discussões sobre a realidade dos sentimentos de Samantha, a validade dos de Theodore e o quão diferente um relacionamento desse tipo é dos namoros virtuais de hoje.
Mas o longa não seria tão completo sem o trabalho espetacular da direção de arte de K.K. Barrett, que concebe uma Los Angeles em tons pastéis, e oferece inovações visuais aqui e ali, mas com sutileza tal que torna o futuro da história não só tangível como possível. Curiosa também é a aparência de Phoenix, cujo rosto com bigode, nariz grande e óculos lembram aquelas máscaras de disfarce dos kits de detetive das crianças.
Phoenix, aliás, constrói um tipo relativa inusitado para sua carreira, doce e calmo, e seu desempenho torna crível o relacionamento com uma voz. Também não posso deixar de mencionar a dona da voz. Johansson se prova aqui uma atriz realmente competente, ao compor um personagem complexo e tridimensional sem poder contar com a atuação corporal, ou seja, fazendo uso apenas da sua voz. Um trabalho notável.

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