Interstellar ★★★★

Em um futuro não muito distante, os problemas climáticos e pragas agrícolas transformaram a Terra e forçaram a população a trabalhar no campo, cultivando alimentos para sobrevivência. Cooper (Matthew McConaughey), um ex-piloto da NASA, é agora fazendeiro, ao lado do sogro Donald (John Lithgow) e dos filhos Tom (Timothée Chalamet) e Murphy (Mackenzie Foy). Mas determinado evento inexplicável em sua fazenda o leva em companhia da filha a perseguir determinadas coordenadas, que são de uma estação secreta da NASA, coordenada pelo cientista John Brand (Michael Caine), e que se dedica a buscar um novo planeta para levar a população da Terra. A partir da teoria de buracos de minhoca, uma expedição é planejada e Cooper se torna o piloto, levando na tripulação da arriscada empreitada os cientistas Amelia (Anne Hathaway), Romilly (David Gyasi) e Doyle (Wes Bentley). O maior obstáculo é a passagem do tempo em cronologia distinta da Terra.

Partindo das teorias do físico Kip Thorne (professor colega de Carl Sagan), o roteiro de Jonathan e Christopher Nolan parte de uma premissa interessante e introduz conceitos avançados de Física Quântica, sem subestimar seus espectadores ao abordá-los. Os personagens Cooper e Murphy são muito bem construídos, e inclusive me emocionaram em determinada cena do terceiro ato. Todo o elenco, aliás, está à altura da ambição do projeto, com destaque para McConaughey, um ator cada vez mais competente.

Muitos reclamaram do excesso de explicações do primeiro ato, mas eu não tenho problemas com essa característica do Nolan. Se as ideias são complexas, nem sempre é possível demonstrá-las visualmente e às vezes explicações são necessárias. É verdade que isso não é o ideal, mas eu acho que funciona. Outros argumentaram que o terceiro ato é absurdo demais, que joga fora tudo que havia sido desenvolvido, etc. Eu não sei se a solução adotada foi a melhor, e admito que há uma coincidência exagerada aí, mas o resultado ainda foi eficaz narrativamente, e ofereceu explicações razoáveis para os eventos.

Tecnicamente não há o que questionar. Toda a expedição espacial é extremamente realista, e em nenhum momento me senti deslocado da projeção por efeitos visuais perceptíveis. A fotografia de Hoyte van Hoytema é deslumbrante, bem como a montagem de Lee Smith. E o trabalho de arte na elaboração dos robôs, das aeronaves, da terra pós-apocalíptica... excepcional!

Divisor de opiniões, Interestelar não provocou em mim as reações extremas que presenciei na Internet. Enquanto muitos não gostaram e acharam ridícula a ambição do Nolan, uns poucos amaram e o elevaram a um pedestal. Já eu gostei bastante do filme, e não tenho tanto o que reclamar; mas não o considero entre os melhores do diretor. Talvez as reclamações tenham sido tantas que meu hype baixou e consegui apreciar bem. Mas creio que se trate de um ótimo longa, embora seja importante que o Christopher Nolan se imponha alguns limites e atue no sentido de minimizar seus problemas como diretor, como a condução de cenas de ação.

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