Mad Max: Fury Road ★★★★½

Immortan Joe (Hugh Keays-Byrne) é o líder de uma espécie de culto, onde o povo sofrido celebra quando ele libera água neste futuro pós-apocalíptico onde H2O e combustível são os bens de consumo mais desejados. Joe tem ao seu lado os War Boys, um exército de jovens que se revezam entre dirigir carros potentes e utilizar armas em cima destes. Neste contexto, Max (Tom Hardy) é um prisioneiro doador de sangue para o War Boy Tux (Nicholas Hoult) e se vê envolvido em uma perseguição, do exército de Immortan Joe à fuga liderada por Imperator Furiosa (Charlize Theron), que leva consigo as 5 esposas de Joe, uma das quais em estágio avançado de gestação.

O diretor George Miller, já com impressionantes 70 anos, volta à franquia do início da sua carreira, trocando Mel Gibson por Tom Hardy, e construindo um longa de ação quase incessante, com personagens bem desenvolvidos, que passa no Teste de Bechdel e ainda conta com um design de arte dos mais inventivos dos últimos anos.

O diretor de arte Colin Gibson construiu para o longa uma variedade imensa de veículos, cada um mais interessante que o outro. Também chama a atenção o visual dos personagens, especialmente a máscara e a roupa do vilão Immortan Joe, e toda a concepção visual da obra merece destaque, passando pela fotografia de John Seale, que ressalta as cores desse mundo e foge do padrão acinzentado que se tornaram os blockbusters dos anos 10.

No elenco, Theron representa com total segurança a corajosa Imperator Furiosa, que desafia um homem muito perigoso buscando uma vida melhor para suas esposas, de certa forma um ato altruísta. Ela divide bem o espaço da projeção com Hardy, que compõe Max como um cara atormentado pela perda de sua família, calado e durão, mas com o coração no lugar certo.

Mais uma decisão acertada do roteiro co-escrito por Miller é o reduzido número de explicações. Ficamos curiosos para saber o que aconteceu com a família de Max, o que aconteceu com o mundo, como Immortan Joe ascendeu ao poder, por que ele precisa daquela roupa, os detalhes da história de Furiosa... sim, queremos saber tudo isso, mas nenhuma dessas informações é relevante para a história sendo narrada. Um roteiro de cinema é um recorte na vida dos personagens, não deve se ater ao que veio antes ou depois.

Aguardo desde já os próximos longas desse cenário tão bem elaborado. Por que temos que esperar por mais cenas de ação tão bacanas quanto essas? Ah, foi realmente um dia belo e glorioso.

Report this review

Elvis liked these reviews