Nightcrawler ★★★★

Louis Bloom (Jake Gyllenhaal) sobrevive cometendo pequenos delitos, até que descobre uma forma de ganhar mais dinheiro: filmando cenas de violência, crime e acidentes e vendendo os vídeos para a produtora de TV Nina (Rene Russo), responsável por um jornalístico matutino no melhor estilo Cidade Alerta. Como apoio, especialmente no manejo do GPS para chegar rápido aos locais dos incidentes, Louis emprega por um valor irrisório o jovem Rick (Riz Ahmed), abusando do rapaz para alcançar seus objetivos.

Estréia na direção do roteirista Dan Gilroy (irmão do Tony e casado com a Rene Russo), O Abutre é um interessante recorte na vida de um personagem completamente execrável. Aparentemente incapaz de sentir qualquer empatia, Bloom não hesita em mexer em cenas de crime, em não prestar auxílio a vítimas ou mesmo causar perigo a outrem, apenas em prol de conseguir vídeos melhores. É uma figura complexa, e confesso não ter compreendido exatamente (e isso não é um problema) porque ele se interessou em conhecer todo mundo na emissora ou se aproximou de Nina. Esses traços, ainda que misteriosos, evitam que Louis se torne caricato, apenas um cara inescrupuloso.

Gilroy e o diretor de fotografia Robert Elswit (colaborador frequente de Paul Thomas Anderson) fazem um trabalho magnífico na criação das sequências, alternando a câmera objetiva com a filmagem diegética de "Lou" Bloom, e conduzindo as cenas com uma tensão crescente, especialmente uma perseguição no terceiro ato.

Russo faz um ótimo trabalho, criando uma figura trágica e amargurada, ainda que mantenha uma casca rígida e conduza com firmeza o seu trabalho. Mas o longa tem como principal razão de seu sucesso a atuação de Gyllenhaal. Exibindo uma silhueta mais magra que a habitual, olhos saltados e um sorriso perturbador, o ator (possivelmente auxiliado pela maquiagem) compõe um personagem quase monstruoso, mas que exerce um certo magnetismo e possui uma inteligência aguçada, conduzindo praticamente todas as conversas que estabelece e ditando os rumos da sua vida como deseja.

Eficaz em sua crítica ao sensacionalismo midiático e ao status de importância que a velha mídia ganhou nas últimas décadas, O Abutre exibe em vários momentos, inclusive em sua cena final, um conjunto de torres de transmissão televisiva, uma metáfora para o domínio das TV's.

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