Nymphomaniac: Vol. I ★★★★

Joe (Charlotte Gainsbourg na atualidade, Stacy Martin mais jovem) é encontrada ferida no chão de um beco por Seligman (Stellan Skarsgard), que a leva pra casa e começa a ouvir sua história de vida. A mulher conta então de como, desde criança, nunca foi uma boa pessoa, priorizando o sexo aos sentimentos dos outros, se aproveitando dos demais pelo prazer. E narra suas aventuras com a amiga B (Sophie Kennedy Clark), com o rapaz Jerôme (Shia LaBeouf), inúmeros outros parceiros sexuais e seu relacionamento com o pai (Christian Slater).

Não sei se por causa da versão editada, mas por tudo que aparentava, pela temática deliberadamente explícita e pelo envolvimento de Gainsbourg e Skarsgard, eu achei esta primeira parte de Ninfomaníaca bem leve em se tratando de um longa do Lars Von Trier. Se comparado o teor do filme com Melancholia, por exemplo, para não citar Anticristo, é quase uma comédia. Não que isso seja um demérito, só estranhei um pouco. Talvez a segunda parte seja mais pesada.

Por associá-la aos filmes do diretor, em especial às cenas angustiantes de Anticristo, eu sinto palpitação só de ver a Charlotte Gainsbourg em cena. E não no bom sentido. Eu acho que tenho medo da atriz. Uma pessoa que aceita fazer vários filmes com o Von Trier e ainda é filha do perturbado Serge Gainsbourg... não pode ser normal. Dito isso, ela pouco faz em cena nesse primeiro volume, suas cenas estão guardadas para o próximo. Ainda assim, as metáforas elaboradas por Seligman, relacionando sexo à pescaria e a uma música clássica, são criativas e divertidas.

A jovem modelo Stacy Martin é visivelmente inexperiente como atriz, mas não faz nada que prejudique o filme. La Beouf, por sua vez, oferece um bom desempenho como o único amante com nome até agora na vida de Joe. Mas a melhor atuação de Ninfomaníaca é mesmo de Christian Slater, que encarna com serenidade o pai amoroso da protagonista. Senti falta de algo que denotasse o envelhecimento de Martin, afinal se passam cerca de 10 anos e ela não muda nem o vestuário, quanto mais a aparência.

Lidando com a ninfomania de Joe com bom humor, Von Trier surpreende ao entregar neste primeiro volume um longa leve e que, por mais que tente dramatizar em cima da condição da personagem, não chega a causar impacto, o que provavelmente acontecerá na segunda parte, simplesmente por ser Gainsbourg em cena.

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