Philadelphia ★★★★½

Andrew Beckett (Tom Hanks) é um advogado de sucesso na maior corporação do ramo na Filadélfia. Ele é homossexual e luta contra a AIDS, mas não explicitou estes fatos no seu trabalho. Um dia, em uma reunião, um dos sócios da firma percebe uma lesão no seu rosto, um sarcoma decorrente do vírus, que ele justifica ser um machucado. Logo em seguida, um relatório que ele havia escrito desaparece e só é encontrado 5 minutos antes do fim do prazo, causando sua demissão por irresponsabilidade. Beckett contrata o advogado Joe Miller (Denzel Washington), até então com tendências homofóbicas, mas que se compadece da situação, e eles colocam a empresa de Charles Wheeler (Jason Robards) na justiça. Enquanto o processo corre, Andrew tem que lutar com sua degradação física em uma época em que ser portador da AIDS era sinônimo de morrer em alguns anos. Nesta luta, conta com o apoio de seu companheiro Miguel Álvarez (Antonio Banderas) e de seus familiares.

Logo após dirigir o excelente Silêncio dos Inocentes, Jonathan Demme se envolve no não menos eficaz Filadélfia. Parcialmente inspirado na vida do advogado Geoffrey Bowers, o roteiro de Ron Nyswaner é sensível ao abordar uma doença tão trágica e que, na época, era devastadora, não só física, mas psicologicamente. O desconhecimento fazia com que as pessoas discriminassem portadores da AIDS, com medo de contrair o vírus a partir do ar, ou de um aperto de mão, de forma que aqueles que tinham a doença, acabavam perdendo emprego, "amigos", e viam seu círculo social reduzido drasticamente. Tanto era que muitos artistas escondiam a doença para continuar a carreira.

Contando com um trabalho de maquiagem exemplar, Filadélfia mostra aos poucos a degradação de Beckett, sendo muito bem-sucedido graças à entrega de Hanks ao papel. O ator emagreceu muito para as filmagens e sua representação do cansaço provocado pela avassaladora enfermidade lhe rendeu um merecido Oscar. O longa marcou em definitivo a transição de Hanks de um ator essencialmente cômico com pequenos dramas para um ator essencialmente dramático com pequenas comédias. Washington também está ótimo como o advogado metido a engraçado, mas que logo se mostra preconceituoso ao não querer envolvimento com um homossexual, especialmente um aidético. Mas a transformação do seu personagem ocorre gradualmente e é muito bem realizada pelo ator e pelo roteiro.

Muitos podem argumentar que o filme força as lágrimas dos espectadores, mas eu não concordo. Por contar uma história triste, é natural que muitos se comovam. O diretor não tenta forçar esta abordagem. De toda forma, é inegável a importância do longa como um dos primeiros a falar abertamente sobre a AIDS e desmistificar o tema, auxiliando com os astros no elenco a reduzir o preconceito que envolvia a doença. Alguns aspectos da projeção estão datados, especialmente parte da trilha sonora, mas a música do Bruce Springsteen continua linda e atual.

"The night has fallen, I'm lyin' awake,
I can feel myself fading away,
So receive me brother with your faithless kiss,
Or will we leave each other alone like this
On the Streets of Philadelphia"

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