Room ★★★★½

This review may contain spoilers. I can handle the truth.

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Este review tem spoilers. São pequenos, mas preferi marcar desta forma porque acredito que a experiência seja melhor se você não souber muito sobre a obra.

Joy (Brie Larson) e seu filho Jack (Jacob Tremblay) vivem trancados dentro de um pequeno quarto. Jack nasceu no lugar e, com 5 anos, não conhece o que existe fora dali. Ocasionalmente, a garota recebe a visita do Velho Nick (Sean Bridgers) e descobrimos que ela foi sequestrada e aprisionada em um galpão por ele há sete anos. Eventualmente, os dois conseguem escapar e reencontrar os pais de Joy, Nancy (Joan Allen) e Robert (William H. Macy) e precisam se adaptar (ou readaptar no caso da garota) a uma vida normal.

A escritora Emma Donoghue se inspirou levemente no caso da família Fritzl, na Áustria, para escrever seu romance e eventualmente adaptá-lo para um ótimo roteiro cinematográfico. É uma história dura e que me emocionou em alguns momentos, graças principalmente ao bom desempenho da dupla principal e à direção de Lenny Abrahamson.

A história tem duas partes: na primeira, dentro do quarto do título, o espectador tem sua atenção cativada pelo fabuloso design de produção, que elabora um ambiente minúsculo, mas onde cada pequeno detalhe é importante e faz parte do cotidiano do pequeno Jack; e pela fotografia de Danny Cohen, que consegue passar a impressão de que o quarto não é tão pequeno assim, e é realmente todo o mundo do garoto; o último componente fundamental para o sucesso da primeira etapa são as atuações magistrais de Brie e Jacob. Se a garota demonstra o carinho materno e a aflição pelo bem-estar do filho, evidenciados sobretudo quando ela decide enviá-lo na perigosa missão que os salva, o menino (que tinha 8 anos recém-completados na filmagem) consegue passar a inocência costumeira da infância, mas ao mesmo tempo uma certa estranheza pela vida que leva.

Já a segunda parte, ambientada fora do quarto, depende principalmente do roteiro, embora ainda conte com as boas atuações e a fotografia que faz questão de demonstrar como tudo agora é grande e aquele lugar era minúsculo. O maior mérito do excerto é o de nos fazer refletir sobre o pós-cativeiro. Sempre temos a impressão de que após estar livre, acabou o martírio dessas pessoas de sequestros duradouros. Mas talvez algumas delas nunca se recuperem completamente.

O conjunto resulta em um filme bem-construído, que conta uma história difícil sem apelar para o melodrama. O diretor Lenny Abrahamson foi corretamente indicado para o Oscar e certamente terá sua carreira observada mais de perto pela crítica, pois é o maior responsável por O Quarto de Jack.

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