Snowpiercer ★★★★

Os terráqueos acabaram com as condições de vida na Terra, que vive uma espécie de nova era glacial. Só restaram aqueles que conseguiram entrar no Expresso do Amanhã, o trem desenvolvido pelo misterioso Wilford (não revelarei o ator que o interpreta, pois só aparece no final e eu gostei da surpresa quando vi) que circula o planeta ininterruptamente, obtendo água do gelo e alimento de fontes internas ao trem. Claro que um lugar assim seria um microcosmo da divisão de classes que temos no mundo, então Curtis (Chris Evans) vive na classe mais baixa, nos vagões do fundo, e ambiciona, ao lado do líder Gilliam (John Hurt) e de seu amigo Edgar (Jamie Bell) uma revolução que tome o poder do trem e os tire da miséria em que vivem. Mas nem tudo é o que parece neste ambiente tão inóspito e diferente de tudo que já vimos como espectadores.

O diretor sul-coreano Bong Joon-Ho (do ótimo Mother), a partir de uma graphic novel francesa, constrói uma alegoria para falar de relações humanas e luta de classes, usando como pano de fundo uma ficção científica. A direção de arte de Snowpiercer merecia ter ganhado muitos prêmios, por conceber cada vagão de forma diferente e sempre com criatividade: se o vagão da classe baixa é escuro, apilhado de pessoas, gerando uma imagem de sujeira e opressão, a "sala de aula" é lúdica e colorida e a locomotiva, na frente, limpa e cirúrgica.

Desta forma, atravessamos a projeção aguardando com ansiedade pelas surpresas do vagão seguinte, nos maravilhando com as participações de atores (com destaque para a maravilhosa Tilda Swinton) e nos impressionando com o subtexto que aos poucos é revelado. Todo o elenco faz um ótimo trabalho, incluindo Evans, Swinton, Hurt e também os coreanos Song Kang-Ho e Go Ah-Sung, que fazem pai e filha com destaque na trama.

Ao final, resta a discussão: talvez o socialismo tivesse dado certo em um ambiente pequeno como o trem, mas daria em grandes países? Com o ser humano fraco e egoísta, como não ser capitalista?

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