Taxi Driver ★★★★

O ex-militar Travis Bickle (Robert DeNiro) é um homem solitário e depressivo na Nova York pós-Vietnã, que decide assumir um posto de taxista noturno buscando fazer algo para se livrar de sua insônia. Eventualmente, Travis se interessa por Betsy (Cybill Shepherd), que, ao lado de Tom (Albert Brooks), trabalha no comitê da campanha presidencial do Senador Palantine (Leonard Harris). Em outra ocasião, o taxista se preocupa com Iris (Jodie Foster), uma garota com menos de 13 anos que se prostitui, e tenta livrá-la das mãos do cafetão Matthew "Sport" (Harvey Keitel).

A importância de uma obra como Taxi Driver para Hollywood na época em que foi lançada é imensurável. O diretor Martin Scorsese aborda a Nova York da época adotando um tom cínico, fazendo do espectador mais um tripulante do táxi de Bickle, que observa a degradação da cidade em drogas e prostituição. O roteiro de Paul Schrader não chega a ser inovador nem traz reviravoltas impactantes, apenas nos apresenta a um homem atormentado e a algumas ocasiões com as quais ele se depara como taxista. De forma que o mérito na qualidade da projeção se deve principalmente a Scorsese, além da trilha sonora do maestro Bernard Herrmann (foi seu último trabalho).

No elenco começo citando a participação divertida de Scorsese como um homem em busca de retaliação contra sua esposa infiel. Menciono ainda Keitel, quase irreconhecível com cabelos grandes; e Foster, uma atriz promissora já aos 13/14 anos. Mas é claro que o filme só é bem-sucedido graças à entrega completa de DeNiro ao papel de Travis Bickle. Antes das filmagens, o ator tirou licença de taxista e realmente trabalhou por algum tempo na profissão buscando compreender melhor o personagem. Sua composição é digna do ator que era na época, transformadora e radicalmente distinta de outros personagens seus. DeNiro transmite a angústia interna do taxista, seus modos rígidos de ex-militar, sua persona inocente e inerentemente boa, sua afeição por Betsy e o modo paternal como age com Iris... e sua determinação de samurai ao planejar morrer após praticar a desonrosa ação de assassinato, mesmo em prol de uma boa causa.

Taxi Driver marca a consagração de Scorsese como um dos grandes nomes do cinema e inicia a imensa dívida do Oscar com seus trabalhos, já que o diretor não foi nem sequer indicado neste ano. Um filme com ritmo e tom rigorosamente escolhidos para causar o efeito esperado no espectador.

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