The Martian ★★★★½

Em um futuro não muito distante, a missão tripulada Ares III, comandada por Melissa Lewis (Jessica Chastain) explora o planeta Marte. Após uma tempestade de areia que poderia derrubar o foguete de retorno, a missão é abortada e os astronautas partem de lá, mas não sem antes deixarem o companheiro botânico Mark Watney (Matt Damon), atingido por um estilhaço e dado como morto. A equipe (Michael Peña, Kate Mara, Sebastian Stan e Aksel Hennie) informa a NASA do ocorrido, e seu diretor (Jeff Daniels) dá ao mundo a notícia da morte de Watney. Porém, semanas depois, uma analisadora de imagens de satélite (Mackenzie Davis) percebe que Watney sobreviveu. Enquanto o astronauta tenta sobreviver no planeta vermelho, o time que conta com Vincent Kapoor (Chiwetel Ejiofor), Mitch Henderson (Sean Bean), Bruce Ng (Benedict Wong) e Rich Purnell (Donald Glover) tenta planejar um resgate.

Talvez o mais impressionante deste Perdido em Marte seja o tom adotado por Ridley Scott para narrar a experiência do botânico. Em vez de transformar a experiência em sofrimento, adotar uma paleta de cores sombria e focar nas dificuldades e na solidão, o diretor segue o tom do livro de Andy Weir, fazendo uso do bom humor e de uma fotografia clara e vibrante, decisões que são fundamentais na identificação do público com a trama.

Damon prova cada vez mais sua competência como ator. Se já tinha demonstrado o talento no drama (como Gênio Indomável) e na ação (a trilogia Bourne), aqui o ator usa a comédia como escape. Aliás, não posso falar nada de errado sobre o elenco. Um ator melhor do que o outro e me surpreendi com a forma que o roteiro consegue dar um pouco de espaço para cada um deles. Ninguém é sub-aproveitado.

Aliás, o roteiro do cada vez mais interessante Drew Goddard é um dos pontos-chave da projeção, ao lado da montagem do premiado Pietro Scalia. O ritmo se mantém, as cenas em marte são alternadas com passagens na Terra, nada está fora de lugar e tudo milimetricamente bem editado.

Importante observar que este é um raro filme que vale a pena assistir em 3D. O Ridley Scott já havia demonstrado ser capaz de usar bem a tecnologia em Prometheus e aqui vai além: explora toda a dimensão de Marte em uma profundidade de campo imensa. Confesso que eu gostaria de ficar alguns minutos apenas navegando nessas imagens de um rover da NASA, tudo em 3D.

Com todos esses aspectos positivos, não havia como o resultado final decepcionar. Perdido em Marte é um filme divertido, uma ficção científica que não carrega na ciência, embora esta se faça presente durante toda a duração do longa. Não poderia deixar de citar uma divertida piada envolvendo O Senhor dos Anéis em uma cena com Sean Bean (o Boromir dos filmes de Peter Jackson).

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