The Revenant ★★★★

No início do Século XIX, um grupo de caçadores sob o comando do Capitão Andrew Henry (Domhnall Gleeson) é emboscado por uma tribo indígena e, sob a orientação do experiente explorador Hugh Glass (Leonardo DiCaprio), abandonam o barco e vão por uma trilha na mata invernal, com destino ao forte, para incômodo de John Fitzgerald (Tom Hardy), que tem aversão a índios por ter sido escalpelado e não gosta do filho que Glass tem com uma índia, Hawk (Forrest Goodluck). Quando Glass é severamente ferido por um urso, o Capitão oferece recompensa para quem ficar com Glass até ele morrer e o der um enterro decente. Fitzgerald se voluntaria em troca das recompensas de Hawk e Jim Bridger (Will Poulter), que ficam sem precisar do incentivo financeiro. Mas claro que uma traição ocorreria e Glass precisará sobreviver sozinho para se vingar.

O diretor Alejandro Gonzáles-Iñarritu pegou o desafio de fazer esta produção da forma mais realista possível, ou seja, com toda a equipe embrenhada no meio da mata congelada, em condições modestas, e fotografado pelo Emmanuel "Chivo" Lubezki apenas com luz natural (salvo uma única cena, aparentemente).

O resultado impressiona: a câmera de Chivo é um deslumbre, captando as mais belas paisagens, dos mais complexos ângulos e alcançando uma beleza impactante, principalmente ao sabermos que não há iluminação artificial no set. O diretor de fotografia, certamente um dos melhores em atividade, ganhou merecidamente a estatueta dourada.

A história narrada no roteiro baseado em história real de Iñarritu e Mark L. Smith é promissora, abarcando uma jornada de vingança e um personagem praticamente highlander. Mas de alguma forma, o script não é tão bem-sucedido e sofre com um terceiro ato anticlimático e um encerramento que falha em deixar satisfação no espectador. E não estou falando de final feliz, mas sim satisfatório.

Já o elenco merece toda e qualquer honra: Poulter e Gleeson são eficazes em suas participações; Hardy cria um antagonista frio, com um sotaque carregado e um olhar aterrorizante; e DiCaprio se doa de corpo e alma para o papel, enfrentando frio extremo, correndo risco de hipotermia, comendo fígado de bisão cru (o ator é vegetariano) e expondo com habilidade o sofrimento e a determinação de Hugh Glass. Fico muito feliz de vê-lo reconhecido com um Oscar.

Como um todo, me restou a sensação de que O Regresso é um filme belo, tecnicamente deslumbrante, lindamente estrelado, mas vazio. Faltou alma no corpo perfeito criado por Iñarritu.

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Fazendo uma breve avaliação do Oscar principal, fico contente que O Regresso não tenha confirmado seu favoritismo, principalmente por causa da arrogância do diretor. Entre os oito, minha ordem seria Mad Max > A Grande Aposta > Perdido em Marte > Brooklyn > Quarto de Jack > Spotlight > O Regresso > Ponte dos Espiões. Os cinco primeiros são muito, muito bons. Spotlight e O Regresso são ótimos e Ponte dos Espiões é bom.

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