Whiplash ★★★★½

Andrew Neimann (Miles Teller) é um estudante de primeiro ano de jazz no Conservatório Shaffer, em Nova York, desejoso de se tornar um grande baterista. Quando consegue se tornar membro da prestigiada orquestra estudantil do temido professor Terence Fletcher (J.K. Simmons), Andrew passa a ser vítima da postura agressiva do condutor. Até que ponto vale massacrar psicologicamente os músicos para extrair o melhor deles? Até que ponto vale se esforçar para ser o melhor?

Inspirado em experiências vividas durante seus anos como estudante de conservatório, o diretor Damien Chazelle fez um curta-metragem Whiplash e agora conseguiu expandir para um longa. E, sendo seu segundo projeto de longa duração, é impressionante constatar o talento do diretor, especialmente a segurança que transmite ao jamais optar por soluções fáceis, como denota o arco do protagonista.

Outros trunfos são a montagem excepcional do também iniciante Tom Cross, que transforma a cena final do filme em momentos de tensão inigualável ao emular o ritmo da música através dos cortes rápidos da câmera; e a trilha sonora de Justin Hurwitz, que pontua toda a narrativa com pequenas pitadas de jazz.

Mas não posso deixar de mencionar as performances de Teller e Simmons. Se o primeiro surpreende ao demonstrar o vigor e o empenho quase sobrenaturais de Andrew ao ensaiar e tocar em tempo acelerado, o segundo comprova seu talento ao construir uma figura que poderia facilmente se tornar vilanesca, mas que na verdade é sensível e tem suas motivações bem definidas, ainda que exagere na dosagem. Mais: Simmons consegue fazer com que os diálogos ácidos e preconceituosos de Fletcher sejam um pouco suavizados pelo humor, sem com isso tirar o peso destas afirmações.

Whiplash é um projeto muito bem conduzido por Chazelle e sua equipe, e que narra uma história relativamente comum no cinema, sem jamais se deixar levar pelas soluções comuns, buscando em vez disso um realismo amargo.

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