I'm Thinking of Ending Things ★★

Gosto de algumas coisas no começo do filme. Principalmente na sequência do carro. Me parece que quando o Kaufman se limita a um só espaço, ele lida melhor com essa livre associação de ideias. Acaba revelando um possível potencial do texto que não depende tanto das ilustrações e que, a partir da encenação com os atores, evidencia as suas ideias de forma mais natural.

Mesmo nas cenas da casa isso acaba se conservando até certo ponto. Limita o imaginário do filme e, consequentemente, lida melhor com uma possível unidade. Os elementos simbólicos da casa soam forçados, mas pelo menos enxergo uma lógica interna mais cuidadosa. A casa funciona bem como essa espécie de dispositivo do inconsciente.

O problema é quando ele tenta se livrar desse dispositivo. Ou tenta “desconstruir” isso demais e começa a simplesmente ilustrar as suas ideias de forma aleatória. Até porque não é um cinema que parece muito interessado em concretizar as suas ideias, mas em simplesmente expor essas ideias através de “códigos”.

Até a decupagem é meio travada nesse ponto. Ele apenas monta esses sketches simbólicos e registra aquilo de uma forma prática e impessoal. Prefere propor situações isoladas em que a força não está na articulação cinematográfica dessas ideias, mas na exposição delas através de joguinhos enigmáticos e referências forçadas (as do Cassavetes e Zemeckis foram tristes).

O pior de tudo é como ele joga muito com esse lado emocional e pessoal pra justificar essa dinâmica aleatória. Mesmo o fato de ser uma personagem feminina e lidar com aspectos de masculinidade tóxica parece forçar essa empatia. Não tenta estabelecer uma relação com o espectador através do impacto das suas escolhas estilísticas e narrativas, mas dessa intimidade calculada.