St. Agatha ★★½

Embora sejam locais de restauração habitual, conventos não são lá locais para se dar a luz tão bons quanto aparentam. Atrás da faceta bondosa, nunca se sabe o que tais instituições realmente tem em mente.

Uma trapaceira grávida é convocada para viver num convento cujas freiras tem intenções bem mais perversas do que ela imagina.

Um dos trabalhos do diretor de filmes de terror é sabe como ele vai querer assustar seu espectador com base no roteiro que tem em mãos. Aparentemente, Darren Lynn Bousman não sabe disso pois as táticas de horror de St. Agatha literalmente atiram para todo lado. Tortura física, alucinações, pesadelos, nojeiras, jumpscares (bem estranhos aqui, diga-se de passagem), entre outros artifícios estão presentes, cada um bem executado individualmente. Não que isso seja um problema, mas dificulta para o espectador saber que tipo de filme está assistindo, deixando-o numa posição desconfortável. O roteiro também tem problemas, não sabendo ser sutil e também não tendo uma certa dificuldade em fechar pontas soltas e explicar muito do que acontece, deixando personagens perdidos na trama ou eventos sem resolução, assim como criar furos narrativos bem feios que não tem lógica nenhuma. Por fim, a montagem é estranha, vez ou outra parando a história para contar uma história do passado, entermeando-a com o presente, de forma totalmente desnecessária, perdendo a chance de usar as sequências do personagem do Maximus Murrah ao invés disso.

E ainda assim, o filme consegue ser divertido e assustar, bem mais do que deveria. Parte disso decorre do "defeito" da direção em não saber o que tipo de susto que predomina, tornando a experiência intrigante por não saber por onde se encaminhará, mantendo a dúvida que alimenta o medo sempre constante. Nisso, mesmo quando o mistério é resolvido, o fator de pertubação se mantem forte, dado ao fato do roteiro escolher o caminho oposto ao que sua instituição indicava, especialmente para quem conhece o gênero, tornando essa em particular até mais diabólica do que as outras. Outra força dele é jogar sempre contra as mocinhas de uma forma a tornar toda a vivência delas num inferno, sendo esse um aflitivo torture porn psicológico (que se compara bastante ao físico daqui) que ainda é reforçado por uma vilã principal que beira a perfeição no quesito de manipulação da realidade, embora não nos dê um final tão catártico quando merecido. A trilha sonora é funcional nos momentos que precisa-se criar uma tensãozinha, mas não é memorável.

Sabrina Kern está boazinha como Mary, dando pra ver a dor em sua vivência crescer, assim como o estranhamento perante tudo ao seu redor, assim a sensação de encurralamento constante. Carolyn Hennesy está bem melhor do que o filme precisa, fazendo uma pessoa desprezível sem sombra de dúvidas, cruel, sádica, gananciosa, sorrateira, transbordando superioridade e psicopatia. Hannah Fierman está boa como Sarah, dando pra ver o quanto ela já sofre naquele lugar, assim como dá pra sentir com todo gosto os momentos em que ela se dá bem. Courtney Halverson e Lindsay Seim estão boazinhas como as outras grávidas, sabendo dar uma outra visão sobre o momento e lugar. O filme ainda conta com Seth Michaels e Trin Miller em papeis menores.

Sabendo usar seus erros ao seu favor, mesmo que isso leve a uma experiência aquém de sua totalidade, St. Agatha é um filme mais do que competente que vale a sua atenção e tempo apesar de tudo.