La La Land

Acredito que a maior virtude de um musical seja a organicidade com que trabalha com as músicas para que elas fluam com naturalidade no decorrer da narrativa. Digo isso não porque La La Land não possui esse senso de naturalidade, mas por ele parecer milimetricamente encenado. Tudo parece muito no lugar e a espontaneidade, que é o que ajuda a dar uma coração a história -como em Sinfonia da Necrópole, já que estamos falando de musicais recentes-, vai por água abaixo. Da quase pra ver o Chazelle organizando tudo e pensando "isso aqui vai ser um sucesso", e com isso em mente, todo esse lance do filme ser uma homenagem apaixonada a um gênero há muito deixado de lado se perde, pois no fim não é a paixão pelo gênero que o move.

E mesmo dentro dessa vibe de homenagem o filme não tem força, pois na ânsia de atingir um público que não é fã de musicais acaba apresentando poucos e esquecíveis números musicais de fato. Até o Channing Tatum em Ave, César! fez um número melhor.

Aliás não sei se homenagem aqui é o termo apropriado porque acho que o que vemos na tela de fato é um certo saudosismo exagerado -e forçado-. Desde o filme ter sido filmado em película até essa ideia romantizada dos personagens de que só os clássicos são bons e tudo que é moderno é ruim. É meio triste até ver isso partindo de um diretor que é novo.

No fim, o filme parece ter sido concebido pra fisgar justamente esse público saudosista que abomina o vulgar, desde sua fotografia, que chega a ser meio irritante, até a concepção dos próprios personagens (diga-se de passagem o casal branco de carinhas bonitas de Hollywood) que são um reflexo dessa nova geração de cinéfilos. É, Chazelle, você até tentou mas essa isca eu não vou morder não.

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